quarta-feira, 19 de julho de 2017

O Interior Opcional Colour Concept do Gol GTI 16V de 2ª Geração (AB9)

Dando continuidade a série de posts sobre o interior Colour Concept no blog, hoje falaremos um pouco mais sobre essa configuração oferecida pela Volkswagen do Brasil como opcional para o Gol GTI 16V de 2ª Geração, modelo este lançado em 1995.

Em 1995, a Volkswagen tinha lançado no ano anterior a 2ª Geração de seu best-seller aqui no Brasil: o Gol. Como em 1994 o carro tinha a sua versão GTI equipada com motorização EA-827 AP-2000i de 8V, no ano seguinte ela lançou um modelo ainda mais potente e de maior torque, diferenciando o novo modelo apenas pelo cabeçote multiválvulas e pela transmissão vinda do recém lançado Audi A4 alemão. Era então criado o Gol mais potente já lançado no País, fato este que não foi superado até hoje por nenhum outro modelo da linha Gol, já que o mesmo entregava 141 CV de potência e 18,5 kgfm de torque máximo.

O modelo, de início, foi lançado no Brasil Motor Show de 1995 e, com suas grandes novidades mecânicas para a época, arrancou suspiros dos visitantes que estavam presentes no estande da marca naquele evento. Foi lançado somente com a motorização EA-827 AP-2000i 16V, com injeção eletrônica de combustível multipoint digital, cabeçote do motor originário do Golf GTI MK3 europeu e transmissão originária do Audi A4 alemão de 1995, recém lançado na Europa. Além disso, esse motor possui o bloco mais longo, permitindo assim a utilização de bielas mais longas, de 159 mm. Essa modificação propõe ao motor um funcionamento mais liso, contribuindo assim para a relação r/l.

O mais curioso e interessante é que, ao colocar a mecânica no cofre do carro, os engenheiros da Volkswagen do Brasil descobriram que a mesma não cabia perfeitamente no cofre do mesmo, criando aí um empecilho. Então, para conseguirem colocar a mecânica no cofre, depois de muitos estudos e tentativas de engenheiros e designers, veio a seguinte solução: criaram um ressalto aerodinâmico no capô do motor para que o motor coubesse. Deu certo, e a partir de então esse ressalto aerodinâmico passou a ser a maior identidade do Gol GTI 16V até 1998, e quando foi lançada primeira reestilização da plataforma AB9, ou a 3ª Geração do Gol no ano seguinte, a bolha caiu em desuso.

As opções de cores disponíveis para o carro eram: Verde Light Metálico, Preto, Prata, Vermelho Sport e Vermelho Dakar Perolizado. Essa última, em específico, era a cor de lançamento para aquele primeiro ano de produção do carro, que conforme a luz solar refletia em sua carroceria, tinha-se a impressão de o mesmo ter uns nuances alaranjados. Posteriormente, essa mesma cor foi disponibilizada aos Santana e Quantum Exclusiv, aos Santana e Quantum Evidence, à Quantum Family e também aos Fusca Série Ouro 1996. Além disso, eram oferecidos também revestimentos internos de bancos e laterais de portas em couro uruguaio, na cor preto e, objeto de estudo do post, o opcional revestimento Colour Concept.

Este revestimento, em particular, foi oferecido pela Volkswagen como opcional para o Gol GTI 16V, e foi totalmente inspirado pelo mesmo revestimento oferecido pela matriz alemã em todos os modelos da linha Golf MK3 e Polo MK3 na Europa. Ele combinava o tom preto já existente com detalhes em vermelho na manopla, central dos bancos, manopla do freio de mão e no volante. A outra padronagem seguindo essa mesma concepção eram os bancos em couro preto e com todas as costuras em vermelho. A padronagem bicolor só foi oferecida para o carro naquele ano de 1995, pois não teve uma boa aceitação de seu público comprador.

O carro era equipado de série com ar condicionado, direção hidráulica, vidros elétricos, travas elétricas, retrovisores elétricos com lentes azuladas, rodas de liga leve aro 15" iguais às do Corrado 2.0 8V alemão, pneus radiais nas medidas 195/50 R15, faróis de neblina, lanterna de neblina traseira, kit aerodinâmico Aero (composto por minissaias laterais, spoiler dianteiro e aerofólio traseiro), bancos Recaro revestidos em tecido, faróis de milha dianteiros, pára-choques, frisos e capas dos retrovisores pintados na cor da carroceria, toca-fitas Volksline, cluster com fundo em branco, com ponteiros e numerações em preto, vidros verdes, pára-brisas degradê, antena eletrônica no teto, computador de bordo, alarme antifurto, limpador e desembaçador traseiros e apoios de cabeça traseiros. Como opcionais, estavam disponíveis o interior Colour Concept, com revestimento interno em couro bicolor (Preto/Vermelho), alarme com acionamento à distância, CD Player Volksline, módulo de som, e freios ABS. Além desses opcionais, o comprador tinha a sua disposição o pacote Premium Sound, que substituía o CD Player por um toca-fitas com disqueteira localizada no lado esquerdo do porta malas.

Suas especificações eram:

- Motorização EA-827 AP-2000i com 16V, injeção eletrônica multipoint digital, rendendo 141 CV de potência máxima e 18,5 kgfm de torque máximo;
- Câmbio de 5 marchas originário do Audi A4 de primeira geração;
- Velocidade Máxima de 203 km/h, segundo as publicações automotivas da época;
- Aceleração de 0 a 100 km/h em 10,21 segundos;
- Retomada de 40 a 80 km/h em 13,89 segundos; de 40 a 100 km/h em 21 segundos; e de 40 a 120 km/h em 29,13 segundos;
- Aceleração Lateral de 0,94g;
- Frenagem de 60 a 0 km/h em 16,4 metros; de 80 a 0 km/h em 29 metros; 100 a 0 km/h em 45,3 metros e de 120 a 0 km/h em 65,3 metros;
- Consumo cidade/estrada de 8,35 km/l e 11,7 km/l, respectivamente.

Deste modo, ele deixava a Volkswagen com um esportivo compacto apto à concorrer com carros maiores de sua época, como por exemplo, os GM Omega 3.0i , Suprema 3.0i e Vectra GSi 2.0 16V, os Fiat Tempra Ouro 16V, Tipo Sedicivalvole 2.0 16V i.e., Uno Turbo 1.4 i.e. e o Ford Escort XR3 2.0i.

O Gol GTI 16V com o opcional Colour Concept foi fabricado de 1995 até 1996. Em 1997, a VW retirou os Recaro LS-2000 do modelo, adotando então bancos Recaro mais simplificados. Com isso, a padronagem de bancos revestidos em couro bicolor foi tirada do catálogo do modelo. É bom ressaltar também que, apesar de todos chamarem os bancos do Gol GTI 16V G3 de Recaro, a fábrica não adotou esses bancos nessa geração do Gol.

Encerro este post oferecendo algumas fotos do modelo, de press releases da montadora do ano de 1995, bem como fotos de modelos desse na internet, demonstrando todas as qualidades do novo automóvel da linha Gol lançado na época por aqui e que marcou uma década, além de consolidar a imagem de esportividade da linha Gol entre o meio e o final da década de 1990.


Abraços



































domingo, 16 de julho de 2017

A Segunda Geração do Gol (AB9)

No post de hoje, falaremos sobre a primeira reformulação total que a linha Gol sofreu no ano de 1994, surgindo então a 2ª Geração do carro, conhecida internamente na fábrica Anchieta da VW por Projeto AB9. Suas linhas tiveram forte influência do Golf de 3ª Geração alemão e, desenhada por Luiz Alberto Veiga, foi vendida de 1994 até 1998, quando ganhou um face-lift também de inspiração no Golf, mas no modelo de 4ª Geração, e também no Passat de 4ª Geração.

O ano era 1994. Nesse ano o Brasil ainda comemorava o título de tetracampeão do futebol, título este ganho na Copa do Mundo, nos EUA. O País também comemorava a estabilidade econômica finalmente instalada com o lançamento do Plano Real, plano este que trouxe maior estabilidade econômica para os brasileiros, maior poder de compra, aniquilou a pesada inflação de quase 1000% ao ano que nós tínhamos, por meio de uma nova moeda denominada Real. No campo da Fórmula 1, o País perdia um de seus maiores ídolos do esporte, Ayrton Senna, que morreu ao bater na curva Tamburello, no Autódromo Enzo e Dino Ferrari, em Ímola, na Itália. No mercado automotivo nacional, contávamos com modelos ainda baseados nos mesmos oferecidos nos anos 80, como o Uno Mille, Escort Hobby, Gol 1000 e também alguns modelos jurássicos, como o Fusca e a Kombi 1600. Havia, entretanto, um modelo da GM recém-lançado e que era extremamente moderno para os nossos padrões de carros populares, que era o Corsa B. Este modelo trazia linhas arredondadas e aerodinâmicas, motores de 1 litro e 1,4 litro com injeção eletrônica de combustível single point, com potências entre 50 e 60 CV, além de um padrão de conforto e estabilidade nunca antes vistos num carro pequeno, de alta produção e tão barato.

A Volkswagen do Brasil tinha em seu campeão de vendas há 8 anos o Gol, modelo este lançado em 1980 para substituir o Fusca, o que conseguiu cumprir com muito louvor. Só que diante da concorrência, o famoso Gol "quadrado" e sua linha não eram páreos pois, com o Corsa, a GM estava tendo dificuldades na sua produção, pois o mesmo tinha longas filas de espera e as concessionárias cobravam ágio. O Gol, por ser um carro muito robusto, durável, de manutenção barata e com peças disponíveis facilmente, só precisava de uma reformulação no seu design que o colocasse nos anos 1990, o que acabou ocorrendo com o lançamento de sua segunda geração, em 1994.

O projeto AB9 foi, basicamente, um projeto desenvolvido ainda sob a gestão da holding Autolatina, que foi a fusão ocorrida entre a Ford e a Volkswagen e que durou de 1987 até 1996, originando vários modelos para ambas as marcas.

Este projeto manteve as já conhecidas e admiradas qualidades proporcionadas pelo Gol, mas deu ao modelo linhas bem mais arredondadas e inspiradas no Golf MK3, modelo este fabricado pela matriz alemã e que a Volkswagen do Brasil acabou trazendo-o como um modelo acima do Gol, concorrendo com os demais carros médios disponíveis no mercado brasileiro até então.

O modelo foi lançado com as seguintes opções de motorização: CHT 1 litro com carburador eletrônico, de origem Ford, AP de 1,6 litro, 1,8 litro e 2,0 litro, de origem VW. Desenvolviam, respectivamente, as potências e torques de: 50 CV e 7,7 kgfm (CHT 1.0), 90 CV e 12,8 kgfm (AP 1.6), 99 CV e 15,6 kgfm (AP 1.8) e 109 CV e 17,5 kgfm (AP 2.0i). Todos os motores, com exceção do CHT 1000, possuíam injeção eletrônica de combustível single point. As versões oferecidas eram Plus 1.0i, CL 1.6 e 1.8 Mi, CLi 1.6 e 1.8, GLi 1.8 Mi e GTI 8V 2.0 Mi.

No mesmo ano que lançou a carroceria AB9, foi disponibilizado o GTI com essa mesma carroceria, substituindo o antigo GTi. O acabamento interno e o nível de ruído melhoraram muito em relação ao antigo modelo, além também a melhora no espaço interno e no espaço de bagagens no porta-malas. A motorização manteve-se a mesma, com o motor EA-827 AP-2000i de 109 CV e 17,5 kgfm de torque, mas aposentou a antiga e já ultrapassada injeção eletrônica Bosch LE Jetronic analógica por uma da marca FIC, produzida pela Ford, digital. Já conseguia competir de igual para igual com modelos esportivos mais modernos como, por exemplo, o Ford Escort XR3 2.0i MK5, o GM Kadett GSi 2.0 M.P.F.I., o GM Corsa GSi 16V, e desbancava o Fiat Uno 1.6 R m.p.i.

Apesar do Corsa GSi 16V possuir maior velocidade final do que o novo GTI, segundo testes de revistas especializadas da época, o novo esportivo da Volkswagen ainda era o automóvel compacto que possuía melhor aceleração de 0 a 100 km/h, na casa do 10 s.

Para 1995, a Volkswagen lançou um modelo totalmente novo do GTI: o Gol GTI 16V, com cabeçote do motor do Golf GTI MK3 alemão e com o câmbio de 5 marchas do novo Audi A4, modelo lançado na Alemanha no mesmo ano. Eram 145 CV e 18,5 kgfm de torque, que faziam o carro chegar aos 203 km/h de velocidade máxima e acelerar de 0 a 100 km/h em 9,5 s. Agora, carros maiores como o Vectra GSi 16V, o Omega CD 3.0, o Tempra Ouro 16V ou até mesmo os Versailles e Royale Ghia sofreriam para superá-lo nesses quesitos. Na categoria dos esportivos nacionais, ele superava com facilidade Kadett GSi 2.0, Uno Turbo 1.4 i.e., Escort XR3 2.0i, seu primo Golf GTI 2.0 MK3 e andava de igual para igual com o Tipo Sedicivalvole 2.0 16V i.e.

Só havia um problema: a motorização escolhida para o carro, a EA-827 AP-2000 16V Mi, não cabia no cofre do motor do Gol AB9. Então, os engenheiros, técnicos e designers da Volkswagen do Brasil, depois de muitas discussões, projetos e sketch's, chegaram a uma solução um tanto quanto curiosa e que já era adotada pela Mitsubishi em seu Eclipse desde o lançamento deste: o capô adotou um ressalto aerodinâmico na forma de bolha, fazendo com que o motor coubesse ali, Esse ressalto tornou-se então uma marca registrada do modelo, diferindo-o da versão GTI 8V.

Este modelo então foi oferecido de 1995 até 2000, quando o Gol AB9 já tinha sofrido a sua primeira reestilização, modificando a dianteira, a traseira e o interior do carro. Nesse mesmo ano 2000, a Volkswagen do Brasil optou por retirar o Gol GTI 16V de linha e, o posto de carro esportivo da marca ficou a cargo do Golf GTI MK4. Nesse ano, o Gol GTI 16V tinha 153 CV de potência e 18,9 kgfm de torque, alcançando 206 km/h de velocidade máxima e cumprindo a aceleração de 0 a 100 km/h em 9,2 s.

Como me alonguei demais nesse post, deixarei para dedicar-se ao interior Colour Concept do Gol GTI 16V de 2ª geração em um próximo post.


Abraços