segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

VW Passat Variant B3: Quantas Unidades Existem no Brasil?

Nesse post de hoje, esclarecerei uma dúvida que a maioria dos entusiastas da marca VW possuem aqui no Brasil: Quantas unidades do Passat Variant de 3ª Geração (B3) chegaram a serem importadas para o Brasil no início dos anos 1990, época da reabertura do mercado às importações, e também como esses carros chegaram aqui no País.

A linha Passat/Variant de 3ª geração foi lançada pela Volkswagen A.G. em 1988 na Alemanha, sendo exportada para os EUA logo no ano seguinte ao de lançamento. O novo carro veio para revolucionar o mercado de automóveis médios-grandes na Europa, concorrendo com carros como BMW Série 3 (E30), Mercedes-Benz 190 E (W201), Audi 80 (B3), Ford Scorpio, Opel Omega A, Opel Vectra A, Fiat Croma, entre outros modelos da época. Na Europa, havia a disponibilidade de opções de motorizações diesel e gasolina. As motorizações à gasolina se resumiam a duas opções 2.0 com injeção de combustível multiponto, desenvolvendo 115 cv de potência e 17,5 kgfm de torque máximos e o outro desenvolvendo 134 cv de potência e 19,5 kgfm de torque máximos, um 1.6 de 71 cv de potência, quatro opções 1.8, que iam de 74 cv até 158 cv de potência, sendo este último com 16 válvulas e compressor volumétrico G60, e um 2.8 V6 12V, VR6, com as bancadas de cilindros montadas em um ângulo de 15°, desenvolvendo 174 cv de potência e 24 kgfm de torque máximos. Já os motores a diesel eram os seguintes:  um 1.6 Turbo Diesel que rendia 79 cv de potência e dois 1.9, sendo que o primeiro rendia 67 cv de potência e o segundo, por ser Turbo Diesel, acabava rendendo 74 cv de potência. 

O carro era oferecido com duas opções de transmissão: a transmissão manual, com 5 marchas sincronizadas e uma ré, e a outra era a transmissão automática de 4 marchas e uma ré. Os pacotes de acabamento eram o GL, podendo ser equipado com os motores de 1.8 litro até o 2.0 litro, com exceção dos 1.8 litro de 16V com o compressor volumétrico G60, os GT, equipados com o motor VR6 2.8 V6 12V e também com o 1.8 16V com compressor volumétrico G60, e os GLX, este último também equipado com o motor VR6 2.8 V6 12V. Havia também os CL, equipados com a motorização de 1.6 litro. Todos os modelos, exceto os GT e os GLX, poderiam também serem equipados com os motores diesel. Havia também a versão Syncro, disponível tanto para o Sedan como para a station wagon Variant, oferecendo a tração integral Syncro para todas as rodas do carro, dando maior estabilidade e segurança nas curvas e também em trechos com terra, lama e neve. Podia vir equipada com o motor VR6 2.8 V6 12V ou então com o 1.8 16V G60.

Essa geração do Passat/Variant durou até 1993, ano em que a matriz da VW na Alemanha já estava se preparando para lançar a 4ª geração do carro, em 1994.

Por volta de 1990, o então Presidente da República, Fernando Collor de Melo, assinou um decreto liberando novamente a importação de veículos estrangeiros no País, que desde 1976 não tinha carros importados. Por força desse decreto assinado pelo Presidente da República, muitas marcas de automóveis estrangeiras começaram a aportar em nossos portos e tornaram-se figuras carimbadas nas garagens de pessoas mais abastadas. Marcas como Jaguar, Alfa Romeo, Audi, BMW, Land Rover, Lada, Citroën, Daewoo, Mercedes-Benz, Bugatti, SAAB, Volvo, Pontiac, Oldsmobile, Cadillac, Daihatsu, Subaru, Honda, Toyota, Peugeot, Renault, Chrysler, Dodge, entre outras, nunca antes vistas em solo brasileiro, colocaram nossos carros nacionais no "chinelo" em termos de tecnologia, fazendo com que estes ficassem totalmente obsoletos.

A partir daí as montadoras nacionais, já há muito tempo estabelecidas por aqui, desde o final dos anos 1950, começaram a desenvolver uma solução para não perder mercado para os importados. A solução adotada então foi a importação de carros vendidos nos seus países de origem e por suas filiais, tendo a mesma qualidade e confiança na manutenção dos mesmos, com mecânicos treinados especialmente para se dedicar aos novos importados das suas respectivas marcas (VW, GM, Fiat, Ford), podendo serem vendidos pelas mesmas concessionárias com garantia igual à dos nacionais. A primeira marca instalada por aqui a fazer essa operação foi a Fiat, que trouxe primeiramente as Alfa Romeo 164 para cá e logo em seguida os Tipo, todos da Itália.

A Volkswagen, por sua vez, ainda não tinha muito interesse nesse mercado, acreditando que seus carros eram suficientes para concorrer com os importados da época. Não foi à toa que, três anos depois, começou a importar oficialmente o Golf MK3 para cá. Apesar disso, houve uma concessionária da marca que ousou a importação da linha Passat/Variant de 3ª geração para cá, que era a Dacon S.A. - Distribuidora de Automóveis, Caminhões e Ônibus Nacionais S.A., que ficava nas esquinas das Avenidas Cidade Jardim com a Brigadeiro Faria Lima, no número 414, em São Paulo. Essa concessionária já era a representante oficial da Porsche A.G. aqui no Brasil desde o final da década de 1960. A mesma concessionária também trouxe algumas unidades do esportivo VW Corrado, também com a motorização VR6 de 2,8 litros, 6 cilindros em V à 15°, e 12 válvulas, rendendo os mesmos 174 cv de potência e 24 kgfm de torque máximos.

As versões do Passat e da Passat Variant oferecidas pela Dacon se resumiam a duas: o GL, com motor EA-827 2.0 de 8 válvulas, no qual rendia 115 cv de potência e 17,3 kgfm de torque máximos, e o Exclusiv VR6, este já bem mais luxuoso e com um motor maior e mais potente, um 2,8 litros, 6 cilindros em V à 15°, e 12 válvulas, rendendo 174 cv de potência e 24 kgfm de torque máximos. Importante ressaltar que ambas as versões poderiam vir, opcionalmente, com transmissão automática de 4 velocidades, mais a ré, totalmente sincronizadas. A versão mais "comum" de se achar desse carro é a GLX VR6 importada dos EUA e equipada com o motor VR6 de 2,8 litros, 6 cilindros em V à 15°, 12 válvulas, rendendo 174 cv de potência e 24 kgfm de torque máximos, aliado à transmissão automática de 4 velocidades, mais a ré, totalmente sincronizadas.

Algumas unidades desses carros também chegaram a serem importados dos EUA, por importadores independentes, não tendo a sua tropicalização adequada para as nossas condições climáticas e de asfalto, sendo reconhecidas pelo logotipo GLX instalado na tampa do porta-malas e pelos piscas com iluminação contínua, não só a intermitente, devido a uma lei norte-americana. Além disso, reconhece-se essas versões pelo acabamento interno em couro bege ou preto, opcionalmente, diferindo dos modelos trazidos para cá da Alemanha, que vinham com o acabamento interno em tecido aveludado preto, padrão, tendo opcionalmente os bancos em couro preto. As versões GLX trazidas para cá via importação independente eram todas equipadas com o motor VR6 de 2,8 litros, 6 cilindros em V à 15°, e 12 válvulas, rendendo 174 cv de potência e 24 kgfm de torque.

Outra curiosidade dessa geração da linha Passat/Variant concentra-se na ausência de grades dianteiras para a refrigeração adequada do motor, sendo esta realizada por pequenos furos nos vãos do logotipo VW dianteiro, e também pela grade inferior do pára-choque dianteiro. Apesar desse sistema funcionar muito bem na Europa, que possui condições climáticas e de asfalto totalmente diferentes das do Brasil, aqui no País foi um dos calcanhares de Aquiles dos modelos, pois não davam conta de fazer a refrigeração correta do motor, levando muitas vezes ao superaquecimento do motor, danificando várias peças. Muitos proprietários dos modelos, inclusive, resolveram adaptar telas na moldura dianteira dos faróis, cortando-as, resolvendo um pouco esse problema.

Por serem automóveis de alto valor aquisitivo, seus anos de vendas só duraram de 1990 até 1993, época em que a fábrica da VW em Emden já se preparava para lançar no ano seguinte a 4° geração do carro, que nada mais era do que uma profunda reestilização da plataforma B3, diferindo-a apenas pela dianteira, pela traseira e pelo interior. Como a maioria dos brasileiros da época não tinham condições de comprarem esses carros, por questões financeiras, eles acabaram se tornando verdadeiras raridades no mercado, que atualmente não valem mais do que R$ 8.000,00 em bom estado.

Em uma busca meticulosa feita recentemente por mim, descobri que, por meio dos chassis dos carros, foram vendidas somente 30 unidades da Passat Variant dessa geração no Brasil todo, no período de 1990 até 1993. Muitas delas caíram no esquecimento, acabaram abandonadas, sofreram acidentes que as deixaram sem condições de uso, entre outras razões. Dessas 30 unidades, conheço 17 unidades em São Paulo. Dessas 17, apenas 7 unidades que estão em boas condições de uso, 8 estão precisando de uma restauração, 1 está em Americana-SP, e existe 1 unidade que foi à leilão em um leiloeiro no Paraná, cujo o número do chassi é WVWZZZ31ZPE119781, leiloada em Dezembro de 2017.

São elas:

Passat Variant GL 2.0:

- VW Passat Variant GL 2.0i 1991/1992 (Cinza Metálico - CAF-5050);
- VW Passat Variant GL 2.0i 1992/1992 (Cinza Metálico);
- VW Passat Variant GL 2.0i 1991/1992 (Preto Ninja - GIG-1616);

Passat Variant GLX VR6:

- VW Passat Variant GLX Automatic 2.8 VR6 12V 1993/1993 (Cinza Metálico - BMJ-0606);
- VW Passat Variant GLX Automatic 2.8 VR6 12V 1993/1993 (Vermelho Sólido - BOC-0200);
- VW Passat Variant GLX Automatic 2.8 VR6 12V 1991/1991 (Branco Sólido - BOQ-2177);
- VW Passat Variant GLX Automatic 2.8 VR6 12V 1994/1994 (Cinza Metálico - BOT-4646);
- VW Passat Variant GLX Automatic 2.8 VR6 12V 1993/1993 (Preto Sólido - EEE-0060);
- VW Passat Variant GLX Automatic 2.8 VR6 12V 1993/1993 (Preto Sólido - FPH-1958);
- VW Passat Variant GLX Automatic 2.8 VR6 12V 1993/1993 (Preto Sólido - GGG-1110);
- VW Passat Variant GLX Automatic 2.8 VR6 12V 1993/1993 (Preto Sólido - GGG-7300);
- VW Passat Variant GLX Automatic 2.8 VR6 12V 1993/1993 (Vermelho Sólido - CAA-0205);
- VW Passat Variant GLX Automatic 2.8 VR6 12V 1993/1993 (Cinza Metálico - DAV-1100);
- VW Passat Variant GLX Automatic 2.8 VR6 12V 1993/1993 (Cinza Metálico - Sucata);
- VW Passat Variant GLX Automatic 2.8 VR6 12V 1993/1993 (Preto Sólido - Sucata);
- VW Passat Variant GLX Automatic 2.8 VR6 12V 1993/1993 (Preto Sólido - Sucata);

Analisando a lista de unidades sobreviventes ainda rodando acima, podemos concluir que o ano em que o carro mais obteve grande número de vendas foi 1993, curiosamente seu último ano de oferta no mercado brasileiro.

Encerro este post deixando prospectos da linha Passat/Variant para 1990 em alemão, italiano e em inglês, bem como fotos de press-releases do carro, fotos das unidades que eu conheço e também um link do vídeo do canal do Shop Tour no YouTube, que se passa na concessionária VW Dacon, em 20/09/1993, em São Paulo, mostrando esses modelos 0km. Também terá um vídeo detalhando minuciosamente o funcionamento do motor VW VR6 de 2,8 litros, 6 cilindros em V à 15°, com 12 válvulas, bem como dois vídeos de lançamento do carro em 1988, sendo que o segundo mostra a linha de produção do carro na fábrica de Emden, na Alemanha. Por último, deixarei o link do anúncio da única unidade que encontrei à venda em SP e que ilustra essa matéria.


Concessionária VW Dacon S.A. (São Paulo) - 20/09/1993
Volkswagen Theorie VR6 Engine
Der Neue VW Passat B3 - 1988
Prüf Und Einstellarbeiten VW Passat B3 - 1988
VW Passat B3 Produktion - 1988
Anúncio VW Passat Variant B3 1993 - São Paulo
Passat Variant GLX VR6 B3 à venda em Portugal

* créditos da primeira e segunda fotos: José Carlos Gasparetto, Acervo Óbvio Motors e Anísio Campos


Abraços














































































































































































































domingo, 21 de janeiro de 2018

CrossFox GPR: A Geração Primo Rossi do CrossFox

Nesse post de hoje, dedicarei a explicar um pouco mais sobre um pacote de acessórios oferecidos pela concessionária VW Primo Rossi para o modelo CrossFox, inicialmente, produto recém lançado da marca no segmento dos aventureiros urbanos, competindo com o Ford Ecosport e também com a Fiat Palio Weekend Adventure, em 2006, mais conhecido como pacote GPR, sigla esta que significava Geração Primo Rossi.

A Geração Primo Rossi era uma divisão de acessórios de personalização automotiva, idealizada pelo então diretor e proprietário da concessionária VW Primo Rossi, Vittorio Rossi Júnior, localizada na Rua dos Trilhos, 134, Mooca, em São Paulo. Segundo ele, a divisão foi criada com o intuito de oferecer acessórios de personalização dentro da própria concessionária, sem que o cliente precise ir em busca de lojas especializadas em personalização. 

Para oferecer esse serviço aos seus clientes, a concessionária buscou criar parcerias com as empresas de acessórios mais famosas da época, como Clarion (som automotivo), TSW (rodas de liga-leve), Yokohama (pneus), Bantek/Recaro (bancos), 3M (adesivos), Cronomac (instrumentos), Shutt (volante, manoplas de câmbio e pedaleiras), Eqmax (rack's de teto), Lowpass, Apex, Mobimax, Webasto (teto solar elétrico).

Em 2006, a concessionária VW Primo Rossi, tradicional revendedora da marca alemã em SP e também uma das mais antigas ainda em funcionamento na época, lançou um pacote de itens acessórios disponíveis inicialmente somente para o CrossFox, mais novo lançamento da VW naquele ano. O carro, quando o comprador optasse por esse pacote de acessórios, poderia vir com os seguintes itens que compunham o pacote de modificações: volante e bancos revestidos em couro (com textura perfurada nesses últimos), apoios de braços para o motorista e o passageiro, painel com instrumentos personalizados, aparelho de som CD/MP3 e alto-falantes, tapetes personalizados, rodas de liga-leve aro 17", com pneus 205/40 R17, faróis com apliques em máscara negra, aplicações de adesivos identificando a versão, teto solar elétrico, entre outros. O público que a concessionária pretendia alcançar com essas modificações era o público mais jovem e que gosta de modificar o carro com peças mais sofisticadas e discretas, para o uso no dia-a-dia, que evita o exibicionismo. O carro apresentado pela concessionária à imprensa em 28/08/2006 veio equipado com som automotivo da Clarion diferente, com GPS, Bluetooth e sistema de IPod, com projeto e personalização da Lowpass, manopla de câmbio e soleiras Shutt, teto solar elétrico Webasto, faróis de xenon, entre outros. 

Havia a previsão de estender esse pacote de acessórios de personalização também para os modelos Gol, Fox, Polo, Parati e Saveiro. Além desses, previam também a instalação desses acessórios em modelos seminovos.

Na motorização, o carro adotava o motor EA-111 de 1,6 litro e 8 válvulas, podendo ser abastecido com álcool ou gasolina. Essa motorização oferecia, originalmente, potência de 103 cv quando abastecido com álcool e 101 cv quando abastecido com gasolina. Como o pacote também oferecia um sistema de Cold Air (tubulação e filtro de ar), o propulsor acabou ganhando 7 cv de potência, ficando em 110 cv quando abastecido com álcool e 108 cv quando abastecido com gasolina. 

Apesar de todas as modificações estéticas e mecânicas que o pacote proporcionava, a garantia de fábrica não foi prejudicada, fazendo com que os proprietários ainda pudessem desfrutar desse benefício caso precisassem, desde que fizessem as revisões obrigatórias nas concessionárias da marca. A concessionária também oferecia garantia para o pacote de personalização, desde que o mesmo passasse pelas revisões necessárias. 

Naquele ano de 2006, o CrossFox 1.6 básico, sem opcionais, tinha preço sugerido de R$ 47.000,00. O pacote de personalização GPR, oferecido pela Primo Rossi, acrescentava à esse preço base do veículo R$ 21.800,00, fazendo com que o carro saísse da concessionária por R$ 68.800,00. Esse preço astronômico cobrado pelos acessórios fez com que o pacote GPR não tivesse boa aceitação, pois por esse preço o comprador poderia comprar carros de categorias superiores, como modelos hatches médios com todos os opcionais (Golf 2.0 8V, Focus 2.0 16V, Astra 2.0, Stilo 1.8 8V), sedãs médios (Corolla 1.8 16V, Civic 1.7 16V, Bora 2.0, Marea 2.4), peruas médias (Fielder 1.8 16V, Marea Weekend 2.4, 307 SW 2.0 16V) entre outros carros de categorias superiores. 

Não há muitos detalhes desse pacote de acessórios na internet, muito menos dados que confirmam quantas unidades do CrossFox saíram com ele, o que dificulta muito achar uma dessas unidades à venda no mercado de usados. Dessa forma, esse pacote de acessórios oferecidos pela Primo Rossi caiu no esquecimento e muitos entusiastas da marca VW não o conheciam. A concessionária hoje não trabalha mais como revendedora VW, especializando na compra e venda de usados, mas não mais se localiza em seu tradicional endereço na Mooca. 

Dessa forma, me despeço do leitor entusiasta da marca, deixando imagens do CrossFox GPR apresentado pela imprensa em 28/08/2006, fotos oficiais do carro sem esse pacote de acessórios, e também testes da Revista Quatro Rodas.




Abraços